terça-feira, 22 de janeiro de 2008

Cinza...




É dia , é sono , é dor ...

E o tempo escorre harmonicamente devastador
E os olhos estão corrompidos pela insônia, e há uma amarga boca...
Que sorve o café matinal em goles de vida oca.

É dia , é sono , é dor ...

Despertou há muito aquela cidade.
E por suas ruas correm os laivos da desvirtude e da humana vaidade
E os homens enquadrados, engravatados deixam a rotina dilacerar lhes os pulsos atados.
São desnudos de qualquer melancolia e vítimas de uma alegria artificial
E impera a tacocracia impera ao ritmo da sinapse cerebral


É dia , é sono , é dor...

E ninguém parou seu caótico curso, ninguém esqueceu do sorriso maquinal.
Não pararam para contemplar o céu sem estrelas noite passada...
Pois havia névoa de veneno químico na atmosfera a ser condensada.
E os hipocondríacos modernos mergulharam em seus infortúnios.
E sob os lençóis de nódoas morais, um sonífero finalmente os adormecia
Sob esse firmamento da hipocrisia
Sob a vida, escombro dos instantes.
Sob a nuvem negra que envolve sonhos sem rumor
Mas isso foi ontem: Hoje, é dia, é sono, é dor...

terça-feira, 15 de janeiro de 2008

Cintilantes ...


Por que voltar...
Se as horas estão sãs, e a distância é caminho relativo?
Se já ceifaram aquelas rosas? Se já destruímos alguns relógios?
Se meus caprichos sufocaram –se e se quebrei os meus pulsos ao rezar?
Se o sono ridiculariza aquelas noites? Se aquelas luzes são pusilânimes?
Por que se a chuva borrou todo os matizes e engoliu a infância? Se ainda sou a mesma criança, em páginas rasgadas?
Se os acordes se corromperam, a poesia desmaiou? Se não recordam a sinfonia?
Se não se dança mais a ciranda iluminada do desespero? E se as cores tácitas não volvem com as estações?
Tudo, tudo por aquele estranho...Aquele de olhos cintilantes
...